Quando nos referimos a Bernard Prince falamos em
aventura em estado puro, como se de cinema se tratasse. Nestes universos
propícios à aventura, Hermann e Greg (respectivamente o desenhador e o
argumentista da série), dão largas à sua energia criativa: Os homens são duros
e de barba rija, sabem aguentar a bebida que ingerem, resolvem as suas
divergências ao soco, ao tiro de pistola ou de bazooka, suportando todo o tipo
de climas ou de relevo…do deserto às selvas tropicais, do fundo dos mares aos
rios cheios de sanguessugas. Pelo caminho, os nossos heróis, vão desafiando
bandidos de alto gabarito como Bronzen, Sarakélian ou o temível General Satan.
Também se cruzam com lindas raparigas (ex. Burma Diego). Em resumo, bate-se,
parte-se, bebe-se.
Contudo, o herói, Bernard Prince, está sempre
sóbrio, irónico e moralizador (como convém!). Elegante e bem constituído,
possui uma moral a toda a prova, que lhe permite olhar de cima para baixo os
seus amigos Barney Jordan e El Lobo, inveterados bêbedos, brigões e “bon
vivants”. Prince constitui a antítese destes pela sua rectidão de ex-agente da
Interpol…um sujeito puro e duro. No entanto, à semelhança de outras criações da
nona arte em que o herói por vezes cede a sua fama e protagonismo ao seu
parceiro de aventura (ex. Obélix não é tão ou mais estrela que Astérix?!), aqui
também as despesas de animação da trama ficam a cargo do colega e velho lobo do
mar Barney Jordan que, com todos os seus “defeitos” se encarrega de dar
colorido à narrativa roubando, aqui e ali, o papel principal a Bernard Prince,
apimentando a história. Prince é o “sério”, quem guarda a cabeça fria e o
cérebro do trio (também há um miúdo hindu, de nome Djinn, que acompanha Jordan e Prince, do qual este
último é tutor), mas nem sempre é o pretexto e a espinha dorsal da aventura.
O nosso trio de heróis faz-se deslocar no
“Cormoran” (iate recebido em herança por Prince que o levou a “reformar-se” prematuramente da
Interpol), que é não só o veículo mas também o mote para o desencadear da acção.
Aliás, o barco constitui uma “quase personagem” pela importância que tem para os
heróis e pelo destaque que merece em todas as aventuras.
O que caracteriza a excelência desta banda
desenhada é estarmos perante uma banda de acção de ritmo acelerado, suspense,
humor, pancadaria, adversários maquiavélicos, personagens truculentas,
ternura…acontece tudo!
O desenho de Hermann é imperial, as cores vivas e
cintilantes. O rosto dos personagens é vincado com traços profundos que por si
só dão vida às vinhetas e densidade emocional à trama.
É difícil distinguir do leque de álbuns que
constitui a série Bernard Prince apenas dois ou três títulos, dada a sua
excelência, mas não resisto a destacar “O Oásis em Chamas”, “A Fronteira do
Inferno” e “A Lei do Furacão”…são um “must”.