domingo, 8 de janeiro de 2012

HUGO PRATT

Hugo Pratt nasceu em Rimini (Itália) a 15 de Junho de 1927. Foi um criador que manteve uma profunda coerência entre a sua vida e a sua obra, podendo-se mesmo afirmar que a sua vida daria um excelente filme ou uma história em quadradinhos de eleição.
O passado de Pratt foi essencial para a sua formação intelectual, já que foi habituado desde muito novo a crescer num meio onde se misturavam várias culturas, raças e credos. A sua juventude teve lugar na Etiópia (o seu pai acabaria por aí morrer prisioneiros dos franceses e Pratt só viria a encontrar a sua campa em 1969). A força das circunstâncias obriga Pratt a voltar para Itália onde ingressou (em 1943) numa academia militar na qual se manteve até à altura da assinatura do armistício. Foi preso pelas SS em Veneza e ingressa, forçado, na polícia marítima, de onde consegue evadir-se, para ingressar no VIII Exército como intérprete às ordens de um coronel belgo-russo. Esta sua experiência como marinheiro possibilitou-lhe o contacto com inúmeras paragens da América do Sul (especialmente a Argentina), continente que serviria de referência e de palco para o desenrolar de muitas histórias de BD donde se destacam as do incomparável Corto Maltese.
Em Abril de 1945, Hugo Pratt entra em Veneza disfarçado de escocês, num blindado canadiano. Desempenha várias funções desde distribuidor de senhas de gasolina a organizador de espectáculos para os soldados. No final da guerra deixa o exército e emprega-se como intérprete no porto de Veneza, cidade que sentimentalmente viria a eleger como sua até à hora da sua morte. É depois destes períodos atribulados que começa a sua carreira como desenhador. Pratt esteve na Argentina desde 1949 a 1962 levando uma vida boémia e trabalhando para inúmeras editoras para as quais desenhou milhares de pranchas. Visitou sucessivas vezes a Patagónia onde colheu ao vivo figuras e cenários para muitas das suas histórias futuras.
Os anos de crise na Argentina levam Hugo Pratt a regressar a Itália, no entanto, passa grandes temporadas na América do Sul (no Brasil vive com famílias negras da Bahia; passa 20 dias com os Índios Xavantes, aventura de que lhe ficará um filho).
Em 1967 surge o primeiro número da revista “Sargento Kirk” contendo uma aventura denominada “Balada do Mar Salgado”, na qual um dos seus personagens se chamava Corto Maltese. A série de Corto Maltese teve o seu boom em 1971 quando a revista “PIF” resolve avançar com a série. Este herói, alter-ego de Pratt, funcionou como referência a inúmeras gerações de apreciadores da Nona Arte.
Algum tempo antes da sua morte, Hugo Pratt trabalhou como argumentista de parceria com Milo Manara, outro desenhador italiano de BD sobejamente conhecido, donde saíram as obras “Verão Índio” e “Gaúcho”.
Hugo Pratt faleceu, vítima de cancro nos intestinos, a 20 de Agosto de 1995.
Para terminar esta homenagem póstuma, deixo as palavras do próprio Hugo Pratt, retiradas de uma das múltiplas entrevistas que concedeu: “Quando encaro a minha vida – e não falo senão por mim – parece-me que o mais importante foi a minha obra. A minha obra é mais importante que todas as mulheres que conheci, mais importante que a história da minha vida, quanto mais não seja porque as minhas experiências se encontram nela, sintetizadas e sublimadas.”


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