segunda-feira, 13 de agosto de 2012

BENOIT BRISEFER (KIM KEBRANOZ)


Este pequeno herói fez a sua aparição na revista Spirou em 15 de Dezembro de 1960, sob a pena de Peyo (Pierre de Culliford), também criador de Johan e Pirlouit (João e Pirolito) e dos Schtroumpfs.
Como todas as crianças, Benoit Brisefer (Kim Kebranoz em português) gosta de jogos, do circo e de guloseimas. Por detrás do seu ar inofensivo esconde-se, contudo, um ser de excepção. Benoit é extremamente forte e nenhum obstáculo humano ou material lhe resiste: arrancar uma porta blindada, colocar uma dezena de gangsters armados KO, saltar muros de vários metros, ou apanhar com as mãos carros e comboios em movimento. Os seus extraordinários dons são postos (como é óbvio) ao serviço do bem e da justiça, princípios que lhe são inculcados na escola pela professora. Benoit é igualmente uma aluno estudioso, aplicado, duma gentileza e educação exemplares. Ele não procura a aventura e quando as forças do mal vêm ter com ele, não são reconhecidas de imediato pois, como todas as crianças, é extremamente ingénuo e desprovido de suspeitas. Contudo, quando identifica acções malévolas tenta imediatamente castigar exemplarmente os transgressores.
As aventuras de Benoit Brisefer podem ser lidas como uma paródia aos super-heróis americanos. Possui a força de Superman e usa (tal como ele) um traje que nunca altera. De facto usa cinco cores que, sendo repartidas, permitem reconstituir as bandeiras da França e da Bélgica: casaco vermelho, calção e boina negra, cachecol azul, camisa branca e cabelos amarelos. À semelhança de Superman, também tem um ponto fraco que coloca em causa a sua invencibilidade: Superman perde os poderes na presença da Kryptonite e Benoit perde a sua incrível força quando se constipa. Por outras palavras, quando não está constipado é implacável e imparável.
Benoit Brisefer é um personagem mais enigmático do que aparenta…nunca ninguém viu os seus pais. Será que os tem? Ou será órfão, como Tintin, órfão por convenção? Sabemos apenas que tem de estar em casa às 18 horas, contudo ignora-se se é esperado pelos pais ou por outra pessoa qualquer. O único adulto com o qual Benoit se relaciona frequentemente é o Sr. Dussiflard, o motorista de táxi, igualmente parceiro de aventuras.
Peyo consegue reunir neste seu personagem uma série de gags de uma comicidade impagável, revelando uma mestria que permite aos leitores de se aproximarem da ingenuidade e candura dos sentimentos das crianças, e do paraíso perdido (para nós adultos)da infância.

Sem comentários:

Enviar um comentário