Este pequeno herói
fez a sua aparição na revista Spirou em 15 de Dezembro de 1960, sob a pena de
Peyo (Pierre de Culliford), também criador de Johan e Pirlouit (João e
Pirolito) e dos Schtroumpfs.
Como todas as
crianças, Benoit Brisefer (Kim Kebranoz em português) gosta de jogos, do circo
e de guloseimas. Por detrás do seu ar inofensivo esconde-se, contudo, um ser de
excepção. Benoit é extremamente forte e nenhum obstáculo humano ou material lhe
resiste: arrancar uma porta blindada, colocar uma dezena de gangsters armados
KO, saltar muros de vários metros, ou apanhar com as mãos carros e comboios em
movimento. Os seus extraordinários dons são postos (como é óbvio) ao serviço do
bem e da justiça, princípios que lhe são inculcados na escola pela professora.
Benoit é igualmente uma aluno estudioso, aplicado, duma gentileza e educação
exemplares. Ele não procura a aventura e quando as forças do mal vêm ter com
ele, não são reconhecidas de imediato pois, como todas as crianças, é extremamente
ingénuo e desprovido de suspeitas. Contudo, quando identifica acções malévolas
tenta imediatamente castigar exemplarmente os transgressores.
As aventuras de
Benoit Brisefer podem ser lidas como uma paródia aos super-heróis americanos. Possui
a força de Superman e usa (tal como ele) um traje que nunca altera. De facto
usa cinco cores que, sendo repartidas, permitem reconstituir as bandeiras da
França e da Bélgica: casaco vermelho, calção e boina negra, cachecol azul,
camisa branca e cabelos amarelos. À semelhança de Superman, também tem um ponto
fraco que coloca em causa a sua invencibilidade: Superman perde os poderes na
presença da Kryptonite e Benoit perde a sua incrível força quando se constipa.
Por outras palavras, quando não está constipado é implacável e imparável.
Benoit Brisefer é um
personagem mais enigmático do que aparenta…nunca ninguém viu os seus pais. Será
que os tem? Ou será órfão, como Tintin, órfão por convenção? Sabemos apenas que
tem de estar em casa às 18 horas, contudo ignora-se se é esperado pelos pais ou
por outra pessoa qualquer. O único adulto com o qual Benoit se relaciona
frequentemente é o Sr. Dussiflard, o motorista de táxi, igualmente parceiro de
aventuras.
Peyo consegue reunir
neste seu personagem uma série de gags de uma comicidade impagável, revelando
uma mestria que permite aos leitores de se aproximarem da ingenuidade e candura
dos sentimentos das crianças, e do paraíso perdido (para nós adultos)da
infância.
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