Foi no ano de 1962 que Stan Lee, criou aquele que viria a constituir a maior revelação de todos os tempos do universo dos comics americanos: O incrível Homem-Aranha.
Poderia tratar-se (à semelhança de muitos outros) de apenas mais um herói no vasto universo MARVEL, mas constitui uma figura de proa, verdadeiramente emblemática, no seio dessa categoria de seres de ficção que nos habituámos a conhecer como super-heróis.
Decerto toda a gente conhece a génese deste herói: o adolescente Peter Parker, órfão a viver ao cuidado dos tios, aluno brilhante de físico-química, ao assistir a uma experiência científica é picado por uma aranha radioactiva que o vai dotar de poderes especiais: força e agilidade sobre-humanas; o sentido de aranha (uma espécie de sexto sentido que o adverte dos perigos), capacidade de subir qualquer parede ou tecto (ao estilo das aranhas); dar saltos espectaculares; e, como Peter Parker é um “teen” génio, consegue conceber um lança teias que lhe permite deslocar-se pela cidade e utilizar para imobilizar os seus oponentes, quer se tratem de vulgares gangsters ou super-vilões que, de igual modo, ficaram gravados no imaginário social: Dr. Octopus; Duende Verde; o Lagarto; Kraven; Rhino, o Escorpião, etc.
Visto assim nada de novo, apenas mais um super-herói saído da mente brilhante do seu criador a juntar-se a tantos outros já em actividade nas páginas dos comics. Contudo, o que torna este herói tão especial aos olhos de miúdos e de graúdos é a possibilidade de estabelecimento de um paralelismo entre as aventuras do seu alter ego (Peter Parker) com a vida do leitor, tornando fácil a este último identificar-se com o herói aracnídeo, pois são tantos os traços psicológicos da personagem que o aproximam do comum dos mortais. Senão vejamos: Peter Parker é um jovem comum que por acidente recebe a dádiva dos superpoderes, é um rapaz tímido, gozado pelos colegas de liceu por ser marrão e um aluno genial, tem problemas em lidar com as raparigas, depois da morte do tio tem de cuidar da tia (doente do coração) e, simultaneamente, ser o ganha-pão da casa, razão pela qual se transforma em fotógrafo freelancer do Jornal Daily Mirror.
Resumindo, trata-se de um herói que tem problemas reais que o fazem descer do pedestal de divindade para “caminhar” na selva urbana como mais um de nós, preocupando-se em pagar a renda da casa, ir visitar a tia ao hospital, chegar a horas ao encontro com a namorada e, nas horas vagas evitar o descarrilamento de um trem, lutar contra ameaças alienígenas, super-vilões ou outros mestres do crime.
Em síntese Peter Parker/Homem-Aranha poderia ser qualquer um de nós se fossemos picados por uma aranha carregada de radioactividade. É esta dialéctica psicológica, este jogo de emoções, entre Peter e o seu alter ego, na tentativa de tentar conciliar a sua humanidade com a sua sobrehumanidade, que o tornam numa das mais brilhante criações do universo dos quadradinhos.
Os criadores do personagem souberam aumentar a verosimilhança do Homem-Aranha com a realidade, destaque-se o facto de o herói envelhecer ao longo dos anos, casar com Mary Jane Watson e ter um filho com esta, ocorrências que uma vez mais reforçam a já referida proximidade e um constante “piscar de olhos” ao leitor que facilmente se identifica com este grande herói do universo dos quadradinhos.
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