terça-feira, 20 de dezembro de 2011

TINTIN

Foi em 1929 que Hergé concebeu o álbum “Tintin no País dos Sovietes” e que deu inicio à saga deste herói, que veio a prolongar-se ao longo de 24 álbuns, sendo o último (Tintin e os Tímpanos) publicado em 1976.
Falecido em 1983 vítima de leucemia, Hergé deixou uma obra mundialmente conhecida não só pelos seus personagens principais (Tintin, Milou, Capitão Haddock, Prof. Tournesol, os Dupond(t), Castafiore, etc), mas também pela enorme variedade de personagens secundárias (cerca de 1000) e lugares exóticos de que, com mestria e pormenor, soube rechear as histórias por si imaginadas.
Tintin é um personagem perfeito sob todos os aspectos, não possuindo a mais pequena fraqueza ou defeito tão vulgares no mais comum dos mortais. Em todas as suas aventuras tem um único objectivo: A eliminação do mal mediante todas as formas em que este se possa apresentar, o que por outras palavras se pode resumir na destruição de tudo aquilo que é repreensível segundo as leis e a moral da sociedade. A perfeição do carácter de Tintin é, ao longo das suas aventuras, contraposta às imperfeições dos seus principais parceiros de aventuras: O domínio de si próprio (contraposto com a impulsividade, irritabilidade e instabilidade do Capitão Haddock), o espírito de aventura (por oposição ao sedentarismo de Milou), a eficácia (contraposta à ineficácia e estupidez dos Dupond(t), a memória (contraposta à distracção de Tournesol) e a rectidão e tenacidade (como formas de “contrariar” a falta de virtuosidade dos vilões que se cruzam no seu caminho).
As aventuras de Tintin são, apesar de velhinhas, uma obra fundamental e um marco da BD, sempre actual para leitores dos “7 aos 77 anos” pois trata-se de aventuras com suspense do início até ao fim, suspense esse que é alternado com gags que se repetem até à última página, sempre com pequenas modificações.
Trata-se muito provavelmente do herói de BD mais estudado, “dissecado” e analisado sob uma multiplicidade de ciências: Sociologia, história, semiótica, física, linguística, psicologia…aliado a um merchandising feroz que o tornou (em parceria com Astérix e Spirou) num dos maiores ícones não só da Nona Arte mas também do Séc. XX.
Por causa desta fórmula de sucesso Hergé deixou não só admiradores da sua obra em todo o mundo, tendo conseguido expressar ao mais alto nível o vigor e capacidade de invenção da banda desenhada europeia.

Sem comentários:

Enviar um comentário